sábado, 11 de outubro de 2014

UMA VERSÃO TRAGICÔMICA DE CANUDOS, por DANIEL FILHO - parte final

foto: Daniel Filho


Do alto de seu carro, comunicou ao grupo as condições postas na mesa, em um linguajar técnico pouco compreendido pela maioria, característica típica de seu discurso. Deu início à votação aos manifestantes que, inflamada, optou por OCUPAR e RESISTIR no local.
Pouquíssimos agricultores e populares no local. Com o correr do ato novos adeptos populares provavelmente passarão a aderir ao falso movimento social.
Empresários, políticos, servidores contratados do município e cargos comissionados eram, até às 12:00 da tarde, a maioria na ocupação.

foto: Daniel Filho

Nas conversas paralelas entre os manifestantes falava-se em “assumir a política partidária”, outros proferiam ódio à Dilma e o PT, outros gritavam por Aécio Neves.
É possível crer que esses se preocupam ou já se preocuparam com o sofrimento sertanejo? Com preservação do meio ambiente e educação ambiental? Com a economia, uso e reuso da água? Em minimizar o consumo de água e agrotóxicos na agricultura? Que incentivam a agricultura familiar?
Não. Seus interesses nunca tiveram o velho chico como prioridade, se fosse cuidariam desse mudando hábitos de consumo.
Alguns estão iracundos porque, com o rio baixando, fica mais difícil pilotar o Jet Ski, outros ojerizam o PT e Dilma, mais uns tantos seguem fielmente seu falso pastor, enfim, interesses pessoais travestidos de benfeitoria social.
O grupo SALVE O RIO SÃO FRANCISCO deveria mudar o nome para FORA, PT!
O interessante de todo o deprimente espetáculo é que conseguimos registrar o cúmulo da onda anti-pt. A desvirtuação de tudo que manifestações sociais se propunham, historicamente, a fazer. O circo de horrores em ver as faces da elite brigando por um ideal, que não lhes pertence, debaixo do sol escaldante.
Participando, desorganizada e comicamente, do que sempre fizeram questão de rir e zombar. Uma “guerra de canudos” às avessas. Cenário semelhante, condições sociais dos envolvidos infinitamente divergentes, pois os sertanejos miseráveis deram lugar aos sertanejos emergentes. Personagens tão caricatas quanto: Um falso profeta sendo seguido por diversos seguidores cegos em nome de uma falsa causa.

O Velho Chico, definitivamente, não está em boas mãos.


4 comentários:

  1. Boa Tarde.

    Realmente os interesses pessoais estão intrínsecos em qualquer atitude nossa, seja num líder ao reivindicar em nome de outros ou até mesmo quando um blogueiro redigi um texto com conotações que podem levar a opinião de um leitor leigo ir de um extremo a outro em poucas linhas lidas. Perdoe-me por minha humilde e "imparcial" opinião expressada aqui, mas não consigo enxergar a parte cômica de um protesto em prol da preservação do nosso bem mais precioso, seja para andar de jet's ou para o pescador tirar seu provento e alimento. Fato meu caro é que sendo Governo ou Oposição o Lago da Barragem de Itaparica, que é o mínimo que nos restou para usufruir seja da forma que for é alimentado pelo Rio São Francisco, que este, não sei se é da sua informação vem sofrendo bastante porque sua NASCENTE secou, e acredito eu na minha singela noção de preservação este não seria o momento mais propício para efetuar esses testes, até mesmo sendo sabido que tais testes não iriam beneficiar de forma concreta a nenhum ribeirinho. Então independente de quem esteja a frente de tal manifestação, independente de seus seguidores, qual a postura a ser tomada seria mais correta?? O que de fato seria coerente? Sentar e assistir o desnecessário desperdício do pouco que nos resta do Velho Chico?? Respondendo o porque do "imparcial", lhe explico que defendo sim essa causa, mas não por interesses políticos, ideologia essa a qual não faço parte e sim por me preocupar com as poucas reservas naturais que dispomos. Finalizando, descordo com sua opinião de que o Rio São Francisco não está em boas mãos, acredito que ele está nas melhores, nas mãos de Deus que precisa mandar muita chuva para Serra da Canastra onde se encontra sua fonte que está SECA, nós só podemos ajudar preservando e não criticando as atitudes tomadas por aqueles que colocaram a cara a bater.

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    1. Obrigado pelo comentário,amigo.
      Inicio afirmando que escrevo para leigos e cultos e não interfiro na leitura individual dos leitores. Essa competência é livre, individual e intransferível.
      Como professor busco mostrar aos estudantes o quanto esses precisam SEMPRE buscar compreender a intencionalidade do autor.
      Continuo afirmando que não devemos entregar a Deus o que compete a nós, homens, cidadãos, políticos e politizados.
      O Rio São Francisco tem e sempre teve defensores ambientalistas fervorosos em nosso município. Muitos ignorados e até mesmo perseguidos pelo gestor. Salvar o rio inicia pelas mudanças individuais de rotina, continua com a educação ambiental e, consequentemente, gera ações sociais e manifestações apartidárias em defesa do rio (em detrimento de seu monopólio).
      Minha matéria provoca (e aí fica a critério de cada leitor em como lidar com isso) a reflexão:
      POR QUE O CAMINHO INVERSO A ESSA ALTURA?
      POR QUE NÃO ACEITAR OS ACORDOS FIRMADOS NA NEGOCIAÇÃO?
      POR QUE NÃO FORMAR MUTIRÕES EM DEFESA DO RIO A PARTIR DO LIXO PRESENTE NA ORLA?
      POR QUE NÃO FORMALIZAR A CRIAÇÃO DO CONSELHO DE MEIO AMBIENTE?
      Entre diversos outros questionamentos.
      Não desconfio das diversas boas intenções presentes no movimento, mas questiono de forma crítica os que "lideram" um movimento politiqueiro.
      Ainda bem que hoje o Jornal do Commércio deixou claro o posicionamento partidário do prefeito, mostrando que nem todos se permitem cegar por falsos profetas!

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  2. Concordo que, a preservação deve esta ser feita sempre, independente das condições. Porem tenho que discordar meu caro em alguns pontos, primeiro justamente por ser professor você deve ter ciência de que temos N maneiras de descrever, dissertar ou até mesmo repassar um informação e a depender de como esta informação é passada podemos sim tendênciar a opinião do leitor sendo ele culto ou leigo, e realmente a compreensão será intransferível e de responsabilidade do leitor, mas a opinião e visão que ele terá desta tal informação será de acordo com o que está escrito. Não sou professor, mas já lhe dei com Programação Neurolinguistica e acredito eu que assim como você sabemos o quão fácil é utilizar de uma situação e tornar alguém de vilão a Herói ou virse versa com pouquíssimas palavras. Porém voltando ao foco do que me levou a comentar em seu blog, acredito que quando se trata de preservação do nosso patrimônio natural, nossas poucas reservas naturais, nós podemos nos manifestar, nos posicionar a frente destas questões políticas, não digo deixá-las de lado pois de fato dependemos delas, mas podemos sim enfatizar o que é importante, que é a preservação de uma das nossas riquezas mais importantes, outra questão levantada com ênfase em seu texto é o porque de não ter sido acordado antes este bendito teste na transposição, acontece que, quando estes acordos foram fechados não estávamos enfrentando essa seca tão intensa na nascente do Rio, que por sua vez reflete diretamente em nossa região, não havia como prever assim como não há como garantir que haverão chuvas até o fim do ano, então me pergunto, como acordar algo que não se sabe que vai acontecer? Me refiro a seca, foi preciso sim que tomassem medidas extremas e imediatas que coincidiram com o momento político pelo qual estamos passando. Pelo menos é assim que enxergo esta situação e volto a indagar que não vejo em nenhum momento algo cômico nisto. Enfim, agradeço sua resposta e desejo boa sorte em seu canal de comunicação.

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