terça-feira, 15 de setembro de 2015

BLOG GOTA D’ÁGUA ENTREVISTA...

Foto: George Novaes

Entrevistamos Guilherme Alves, coordenador de articulação institucional da secretaria executiva de políticas para criança e juventudes do governo do estado.
A conversa aconteceu ainda na Conferência das Juventudes, acontecida na Casa de Shows Velho Chico, e somente agora pudemos reproduzir e tratou de diversos temas como educação, cultura, esporte, lazer, políticas públicas para as juventudes e crise econômica (sempre na pauta).
Boa leitura:

Foto: Tony Souza

GEORGE NOVAES - Gostaríamos que o senhor falasse, de forma geral, como estão os trabalhos do estado junto à juventude e educação.
GUILHERME ALVES - O cenário econômico atual, tanto para municípios, estado e governo federal, não proporciona investir o que a gente imaginava pra juventude em todos os seus recortes, mas isso nos reporta a uma necessidade de repensar a gestão pública a partir de ações integradas de secretarias. Nosso desafio hoje é buscar essa gestão dentro da transversalidade.
Pernambuco é o único estado do país que vai fazer conferências territoriais garantindo a participação dos jovens quilombolas, ribeirinhos, juventude de terreiro, cigana... São recortes que, habitualmente, estão fora do debate da gestão pública, então, nessa perspectiva, eles estão sendo incluídos e se incluindo, que é o mais importante.
A gente fica muito feliz em de ver em Petrolândia a juventude declarando o interesse de participar, de fato e de direito, do debate da gestão pública. E a gestão, mais do que isso, está assumindo o compromisso de incorporar na gestão essa temática. Volto pra Recife com a perspectiva não só de que Petrolândia terá uma boa representação na etapa estadual, mas de que, essa etapa, deixará um legado ao município para garantir a efetivação dos direitos da juventude.

Foto: Tony Souza

DANIEL FILHO - Guilherme o quanto a crise econômica atrapalha as políticas públicas para a juventude?
GA - Eu acho que ela atrapalha e atrasa bastante. Nós tínhamos uma perspectiva de ampliação de programas como a Casa das Juventudes e, com esse redimensionamento da parte financeira do estado, nós não teremos condições de ampliar as casas esse ano. Mas entendemos que há uma luz no fim do túnel para 2016.
As conferências vão caminhar para que tenhamos o sistema nacional da juventude. Acreditamos que ainda no primeiro semestre o governo federal vai sinalizar para a criação de um fundo nacional de juventude. Consequentemente o estado acompanha a mesma linha e cria o fundo estadual e os municípios também.

DF – O governo estadual pensa em uma forma de fiscalizar e cobrar realmente de cada gestor a aplicação desse projeto?
GA – Nós estamos, desde o início do ano, realizando diversos seminários regionais apontando esse caminho aos gestores. Acho que essa responsabilidade vai além dos gestores municipais. Ela precisa também ser incorporada pelos movimentos sociais de juventude, do litoral ao sertão.
Mas temos recebido uma receptividade muito boa desses gestores. Em Petrolândia nosso prefeito já sinalizou positivamente. Estamos com uma agenda marcada após a conferência estadual para voltar ao município para uma orientação de criação do comitê intersetorial de políticas públicas de juventudes, que será um espaço de ajuste das políticas públicas da esfera local, fortalecimento do conselho municipal de juventude e elaboração do plano municipal para a juventude.

Foto: Tony Souza

DF – Mesmo com crise econômica há formas de se garantir recursos através de editais, mas esses, muitas vezes, são complexos. Há uma estratégia para a compreensão desses editais para, junto a eles, captar recursos para esses fins?
GA – Dentro das ações integradas com as demais secretarias temos conversado muito para que a gente possa garantir momentos de formação para que os jovens entendam dos editais em aberto. É uma ação integrada com a secretaria de turismo, esporte e lazer.

GN – Sobre esportes vemos um grande potencial em nossos jovens, mas é uma área bastante carente de investimentos. O senhor percebeu essa demanda em outras cidades?
GA – Sim. O esporte, lazer e cultura são instrumentos de inclusão social e isso não é o governo quem diz, é a juventude. Sabemos a dificuldade que temos em garantir, por exemplo, equipamentos públicos de qualidade para que o jovem do campo e urbano tenha a garantia da multiplicidade de atividades esportivas que saiam um pouco do futebol.
As meninas também vêm se queixando nas conferências de que o espaço público esportivo é voltado somente aos meninos, é um desafio também garantir essa equiparação. Outra dificuldade que percebemos nas conferências, inclusive aqui, é a falta de corpo técnico qualificado para as aulas de educação física. São correções que, acredito, o governo do estado fará a partir das escutas nas conferências.

GN – O senhor tem esperança que as demandas colocadas por essa juventude serão atendidas em grande parte?
GA – Olha, no primeiro ano do governo Eduardo Campos, em 2007, antes de qualquer ação, fizemos uma escuta com mais de cinco mil jovens, do litoral ao sertão, em todas as microrregiões do estado. A partir da participação desses jovens pudemos sistematizar suas falas e construir o primeiro plano estadual de juventudes, com vigência de 2008 a 2018, da história do estado. Então ali garantimos que o olhar do jovem seria garantido enquanto direito por dias melhores.

DF – No início da escuta dos jovens pudemos perceber que estava “travados”, mas quando se abriram a participar a atenção se voltou toda para a educação. Com tantas falas negativas não há uma incoerência entre os números positivos apresentados pelo governo na mídia e a escuta do sentimento de tristeza e decepção da maioria? (grifo nosso: para ver ou rever as principais queixas, segue o link da matéria ao final da entrevista)
GA – Permita discordar um pouco. Não vejo uma distorção tão grotesca entre os dados apresentados pelo estado com programas como o Ganhe o Mundo, ampliação de escolas em regime integral, por sinal o estado com o maior número de escolas em período integral no país... Agora sabemos que essas políticas, por serem novas, precisam de um tempo para que sejam aperfeiçoadas. Estamos desenvolvendo inúmeros programas para melhorar a qualidade do ensino para o jovem da escola pública, mas é um processo.
Por exemplo, dentro da escola integral serão proporcionados vários momentos para que a gente possa estar discutindo e construindo o espaço escolar permanentemente. Todas as críticas que ouvimos aqui serão encaminhadas para nosso secretário de educação e todos os ajustes se darão internamente. Acredito que ainda no primeiro semestre de 2016 tenhamos novidades e o governo vai mostrar a que veio.

Foto: Daniel Filho. 

Momento de escuta com a juventude petrolandense


GN – A gente finaliza agradecendo sua participação e dando o espaço para suas considerações...
GA – Destaco que a gestão municipal vem se empenhando nas políticas para as juventudes. Por onde passo sempre destaco o papel da Casa das Juventudes de Petrolândia como uma das poucas que efetivamente funciona. Nós temos noventa e nove casas implantadas em todo o estado, algumas fecharam as portas, outras passam por sérias dificuldades funcionam precariamente, mas temos algumas como a de Petrolândia.
Sempre que estamos na região costumamos fazer visitas surpresas e sempre vemos aquela correria... grupo de Hip Hop em uma sala, grupo de Maracatu em outra, artesanato no quintal, então percebemos que aqui o jovem se sente parte do processo.
Reafirmo o compromisso que a gestão teve de cumprir com a conferência. Nós tivemos apenas sessenta e cinco (65) conferências municipais agendadas num universo de cento e oitenta e quatro (184) municípios do estado, e a maioria dos gestores apontou a dificuldade financeira para a não realização das conferências. Poucos gestores percebem que esse momento é muito mais do que um espaço para eleger delegados pra mandar a Recife. Daqui estaremos extraindo a multiplicidade de olhares dos jovens envolvidos para uma revisão desse plano estadual e colaboração para a nacional.

A matéria sobre a conferência, com as reclamações citadas na entrevista, segue no link abaixo: