quarta-feira, 9 de setembro de 2015

DOZE ANOS DE EDUCAÇÃO INTEGRAL EM PERNAMBUCO. É PARA COMEMORAR?

Foto: Dilson Sintepe

O programa de Escola Integral, criado pelo governo PSB como política de estado através da lei complementar n°125, de 10 de Julho de 2008, em Pernambuco, completou 12 anos. Iniciado em 2003 com a inauguração do Ginásio Pernambucano, outrora Centros de Ensino Experimental, o programa conta hoje com 300 escolas, entre integrais, semi-integrais e técnicas, com promessa de inauguração de mais unidades durante a gestão Paulo Câmara. Em quantidade Pernambuco supera qualquer outro estado, mas e em qualidade?

Foto: Daniel Filho

O SINTEPE (Sindicato dos Trabalhadores de Educação de Pernambuco) deu início hoje (09), na cidade de Salgueiro, ao ciclo de seminários que analisam o cenário do programa de referência com o tema “QUAL ESCOLA QUEREMOS?”. Estivemos presentes e faremos a matéria por partes. Essa primeira totalmente dedicada às principais falas expressas pelos participantes:

“Referência em quê? Quantidade de aula significa qualidade?”

Foto: Daniel Filho

“Sou admiradora de Darcy Ribeiro, Brizola... E quando ouvimos falar do programa me enchi de sonhos. Mas a escola em período integral que nos foi entregue não era holística, era ‘conteudista’ ”

“Em parte das escolas de referência os conselhos escolares existem apenas para constar em cartório. Na prática não funcionam.”

“Com essas escolas nos foi introjetado a ideia neoliberal: metas, ranking e competição. O estado nos jogou uns contra os outros e, isso, ela fez muito bem.”

“É inegável que as escolas em período integral são a vitrine do governo e os resultados mostram isso. Mas os dados de sucesso das escolas são oriundos do trabalho do professor e o custo é a sua saúde.”

“O SIEPE, sistema de diário escolar eletrônico, foi criado para nos ensinar a mentir. Caso você falte em determinado dia, é preciso contabilizar como se lá estivesse. Os conteúdos, mesmo que não tenham sido contemplados plenamente, precisam ser incluídos como se tivessem sido dados.”

“Que avaliação é essa que nos divide em bolinhas verdes, amarelas e vermelhas?”

“É preciso criar uma ouvidoria para o estudante das EREM’s. Ninguém melhor que nossos jovens para explicar tudo o que eles sofrem nas escolas”

Foto: Daniel Filho

“Grêmio escolar em escola de referência praticamente não existe. São criadas diversas dificuldades e nossos estudantes perdem a oportunidade de se formarem como cidadãos politizados.”


“Um dos pontos positivos que vejo no programa é a de, mesmo com dificuldade de encontrar professores em exatas, deixar o professor lecionar na área para qual se formou. Nas regulares somos obrigados a pegar uma salada de disciplinas para atender a carga horária.”

“Acredito que, no papel, a Lei Complementar n°125, de Outubro de 2008, é lindo. O problema é a prática. A escola é excludente e em nada democrática.”

“Se nos pautarmos pela lei é possível garantir uma escola que seja referência para sua comunidade, mas ela deixa de funcionar quando os gestores escolares não são escolhidos pelos estudantes e passam a se declarar como ‘governo’. Então o gestor passa a agir para atender aos mandos do governo e não às demandas de seus estudantes.”

“Temos uma gratificação que chegou ao seu teto. Contribuímos com a previdência, mas não levamos para a aposentadoria tal gratificação. Gozar licença-prêmio significa abrir mão da gratificação e cursar mestrado é uma dificuldade... Perdemos todos os nossos direitos.”

Foto: Daniel Filho

“Nunca entendemos como funciona o bônus escolar. Ano passado nossa escola atingiu a nota 5,25 e tivemos nota zero (0). Esse ano subimos para 5,76 e, mais uma vez, zeramos, não iremos receber o bônus. Não entendo as regras, não há transparência (...) Como querem nos motivar se não levam em consideração o que evoluímos? Não somos máquinas ensinando a máquinas, somos humanos.”

“Não há dentro da lei complementar nada referente à quantidade de horas que devemos lecionar, portanto gestores e gerências especulam e dizem que devemos pegar até 34 horas em sala. Um absurdo. Reivindiquei junto aos colegas, gestora e gerência que ficaram temerosos, então falei diretamente com Paulo Dutra. Se não há nada expresso na lei complementar a que nos deve reger é a regular e, nessa, apenas 26 horas são em sala as horas restantes ficam para aula-atividade. Paulo Dutra compreendeu e fui atendida. Mas imaginem quantos colegas aceitaram calados e se submeteram a essa extensa carga horária?”

“Não há formação continuada aos professores. O FORUM anual das escolas integrais é uma forma pontual de apresentar palestras aos professores. Mas não dá pra chamar de formação continuada.”


“Há diversos relatos de professores que sofrem assédio moral por causa das metas estipuladas. Quando se alcança o resultado dedicam a vitória ao grupo, mas quando o resultado não vem a culpa recai sobre os professores de Língua Portuguesa e Matemática.”

Foto: Daniel Filho