sexta-feira, 25 de novembro de 2016

SIECS 2016 E A EDUCAÇÃO DO CAMPO NO SEMIÁRIDO

Imagens: Daniel Filho e
Ronald Torres


“A educação do campo no Semiárido Brasileiro” foi tema de discussão do segundo dia(18) de SIECS com os professores Paulo Rubem Santiago (UFPE), Josemar da Silva Martins Pinzoh (UNEB) e a Professora Lucia Marisy, (UNIVASF).
O debate culminou na reafirmação de se romper a dicotomia entre campo – cidade, onde o primeiro seria apenas o local de produção para o segundo consumir.
Pinzoh abriu as falas enaltecendo a importância de se quebrar essa concepção colonialista compreendendo a diversidade a partir dos seus povos e das suas identidades, porém compreendendo que elas adquirem novas demandas:

“As comunidades querem ter energia elétrica, água encanada, querem ter direitos civis no campo. Defende-se luz para todos, mas não quer discutir produção de energia. Tem que ter uma proposta clara(...) É preciso equacionar tais questões”

Paulo Rubem Santiago avalia que as grandes corporações ainda determinam as políticas agrícolas do país prejudicando a agricultura familiar. Analisa ainda que não interessa a esse corporativismo investir na qualidade de vida das populações rurais visto que esvaziar o campo é garantir mais áreas para o agronegócio.
Segundo Paulo Rubem a educação do campo também é precarizada por essa lógica corporativista e ganha respaldo com a aprovação da PEC 241/55:

“Com a aprovação da PEC, o Plano Nacional de educação está morto, as metas serão engolidas por este ajuste fiscal proposto pelo governo golpista (...) eles vêm com um discurso falacioso que pega muita gente incauta, é a lógica do ‘não se pode gastar mais do que se ganha’, como não pode? Ao cidadão não se dá a condição de ter o cheque especial, o cartão de crédito? Por que ao estado brasileiro, que precisa de cada vez mais investimentos tanto na educação quanto na saúde, deve se negar essa lógica e deixar esses setores reféns da inflação do ano seguinte quando ainda temos em nossa realidade mais de 7000 (sete mil) escolas sem acesso à água e luz?”

Lúcia Marisy destaca a necessidade da academia contribuir colocando o lugar do Campo e da Educação do Campo, assim como a pauta da classe trabalhadora, na formação dos professores, nos currículos dos cursos de licenciatura.

“A formação continuada dos docentes é fundamental para enfrentar esta situação que está posta. Nós precisamos nos comprometer com a população, promovendo a formação continuada dos professores (...) os professores precisam ter acesso a informações específicas de pesquisas, informações que a sociedade precisa para viver melhor”.


Houve ainda, durante o dia, apresentação de trabalhos, tendas temáticas, Feira de saberes e Sabores, apresentações culturais de grupos da região, encerrando com o lançamento do Filme “Uma aventura no Semiárido”