segunda-feira, 13 de agosto de 2018

GREVE DE FOME - 13º DIA



“Irá chegar um novo dia
Um novo céu, uma nova terra, um novo mar
E nesse dia os oprimidos
A uma só voz, a liberdade, irão cantar”

“Na nova terra a mulher terá direitos
Não sofrerá humilhação, nem preconceitos
O seu trabalho todos vão valorizar
Das decisões elas irão participar”

AS MULHERES QUE LUTAM, PARA VIVER E SOBREVIVER

 Hoje, no 13º dia da greve de fome, fomos, todos os grevistas, mais uma centena de companheiras e companheiros, desde as 7H horas da manhã fazer vigília na frente da casa de Edson Fachim, Ministro do STF. Lá celebramos um culto ecumênico e cobramos dele, considerado traidor do povo, que tenha um mínimo de ética e responsabilidade jurídica e social para julgar o caso das ADCs, sobre a presunção de inocência, que garantiria Lula livre e em condições de ser candidato a presidente.
Mesmo hoje sendo dia dos pais, nossa homenagem a todos os pais, nossa homenagem in memorian aos nossos pais valorosos que já não estão mais entre nós, já cumpriram suas tarefas. Mas vou tentar fazer uma reflexão sobre os prejuízos para as lutas históricas das mulheres. Não pretendo recuperar a história e nem nos debates conceituais do tema apenas, tento trazer a ideia, que a luta das mulheres de resistência contra o Golpe para impedir retrocessos no debate de gênero e a lutas das mulheres é do conjunto da sociedade.
 A questão da opressão das mulheres no Brasil tem raízes históricas na ideologia patriarcal, com um sistema de poder machista que reproduziu historicamente relações de sexo e gênero de dominação e exploração. A história do nosso país foi sempre assim de dominação, relações patriarcais e escravocratas. O patrão domina o trabalhador e o trabalhador reproduz esta relação na sua vida familiar com as mulheres e filhos. Mas isso não quer dizer que as mulheres não resistiram. Foram muitas guerreiras que deram a vida resistindo e lutando para que o Brasil pudesse se constituir com uma nação, democrática, livre, independente e com novas relações entre homens e mulheres. Entre Tantas Luiza Nahim, Tarcila Amaral, Margarida Maria Alves, Dandara, Mulheres de Tejucupapo, Tereza de Benguela, homenageada em nossa marcha com o nome da coluna da Amazônia e Centro oeste, e tantas que continuam lutando e resistido: Elizabete Teixeira, Maria da Penha e tantas guerreiras que enchem de orgulho o nosso povo.
Depois de cinco séculos de luta das mulheres, com a ascensão do movimento de massas. As mulheres foram se empoderando, conquistando espaços nos movimentos populares, nas estruturas do movimento sindical, partidos políticos, participaram e ganharam espaços na constituinte, mas foi nos governos de Lula e Dilma que as mulheres conquistaram mais espaços e condições de disputas de espaços e afirmações. Mulheres ampliaram espaço no parlamento, ainda que isso continue sendo uma grande lacuna, no Poder Judiciário, foram 3 indicadas para o STF, mesmo que não representam a luta feminista no Brasil, tem esta simbologia,  assumiram vários ministérios, foram a maioria nas universidades e conquistaram políticas públicas e leis que representam um avanço na conquista do espaço feminista no Brasil. No entanto, ainda são muito discriminadas no mundo do trabalho, ganham salário inferior, tem jornadas duplas de trabalho, sofrem de preconceito, são vítimas de agressões machistas e feminicídios.
Mesmo que as conquista não sejam ainda consideradas com capacidade de recuperar tempos históricos de repressão e opressão contra as mulheres, pois o ditado popular sempre nos ensinas que: “os que humilham, oprimem, torturam e discriminam, podem esquecer de suas ações mas, as que sofreram humilhação, opressão, torturas e discriminação, vão guardar na memória por gerações para um dia vencer os algozes”. Mas do ponto de vista cultural, social e de conquistas legais, podemos considerar o momento da nossa pobre república que mais avançamos nesta questão. As mulheres foram protagonistas nos governos de Lula e Dilma, neste período o Brasil aplicou uma série de ações que garantiram avanços no combate à discriminação e violência contra a mulher. Uma delas foi a Lei 11.340/06, mais conhecida como Lei Maria da Penha, representa um avanço considerável na punição da violência machista contra as mulheres, lei do feminicídio, criação das delegacias das mulheres, construção da chamada Casa da Mulher Brasileira. Foram políticas públicas e programas sociais que empoderaram as mulheres, como a Bolsa Família com titularidade das mulheres, Minha Casa Minha Vida, hospitais especializados, entre outras.
No campo, as mulheres passaram a receber aposentadoria, no mesmo valor do salário mínimo, os benefícios passaram a ser pagos em nome das mulheres e na reforma agrária a titularidade do cadastro de beneficiário da Reforma Agrária passou a ser da mulher, quando antes ela era cônjuge dependente. Hoje em 80% das famílias assentadas as mulheres são titulares, em iguais condições com os companheiros. Mas do ponto de vista simbólico, nada é mais representativo do que ter eleita a primeira mulher Presidenta, que queria ser chamada de Presidenta Dilma e uma maioria dos ministérios comandada por mulheres e ministérios estratégico politica e economicamente.
O Golpe foi realizado por uma maioria de homens, brancos e ricos. A Nossa greve de fome com duas guerreiras participando, uma jovem e uma mãe e avó, está em sintonia para derrotar o Golpe e impedir ainda mais retrocessos.

“Quando uma mulher avança nenhum homem retrocede”

Brasília, 12 de agosto de 2018Jaime Amorim, em Greve de Fome por LULA LIVRE e por justiça no STF


Texto e imagens enviadas por Francisco Terto