segunda-feira, 3 de junho de 2019

O DIREITO DE POSSE/PORTE DE ARMA: A QUEM INTERESSA ESSA FALSA POLÊMICA?

Imagem: reprodução


Tentam fazer soar que há um debate, mas para que haja, é necessário que, minimamente, o tema divida a opinião pública em percentuais equilibrados. Conceitos são deturpados, números mascarados e discurso fica polido para garantir “que se trata apenas de defesa pessoal e direito individual”. Para reforçar sempre se acrescenta: “Quem não quiser ter arma é só não comprar!”... E quem não quer correr o risco de estar em meio ao fogo cruzado de uma briga de trânsito ou de pessoas embriagadas recorre a que argumento? Será que o povo brasileiro vê “esse direito” assim?
Uma pesquisa do Ibope realizada em março diz que 73% dos entrevistados são contrários à flexibilização de porte para cidadãos comuns e 26% são favoráveis (o direito ao porte é a autorização para transportar a arma fora de casa).

Imagem e fonte: G1

Os entrevistados também foram questionados sobre a posse de armas: 61% são contrários a mais facilidade para possuir arma em casa; 37% são favoráveis.
Para mascarar a incompetência política para tirar o país da crise e usar a cortina de fumaça (da pólvora) sempre que surge um novo escândalo de corrupção, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) usa de decretos sobre armas para soar, ao menos aos seus fiéis seguidores, de que cumpre suas promessas de campanha (ainda que inconstitucionais). Já somam três os decretos: o primeiro em 15 de Janeiro tratava de novas regras sobre a posse (desagradando até mesmo sua base de apoio), o segundo em 8 de Maio tratava de novas normas sobre porte de armas e compra de munições o último de 22 de Maio mudou pontos que foram questionados pela justiça.

Arte: Gabriel Renner

A pesquisa do Ibope foi realizada entre 16 e 19 de março. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou menos. Se o objeto da pesquisa mostra que, de forma esmagadora, a população brasileira não quer “esse direito”, seja por compreender que o ambiente social fica muito mais tenso e inseguro, seja por compreender que a segurança é dever do Estado, a quem beneficia e interessa uma discussão que já está vencida?
Aos que, até aqui, não geraram emprego, não acabaram com a corrupção, não trouxeram proposta para a segurança pública que respeite a Constituição e os direitos humanos e, claro, aos seus cães raivosos adestrados para ladrar o que seu mestre tuitar.

Artigo de opinião por Daniel Filho


Arte: Mariano


Um comentário:

  1. Alcione Cavalcante3 de junho de 2019 18:57

    Nenhum cidadão de bem precisa andar armado.
    Nenhum cidadão de bem quer se defender tirando a vida do outro.
    Daí eu concluo que só irar comprar armas quem já tem a intenção de matar, seja por defesa, por raiva ou até mesmo por uma banalidade.

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