segunda-feira, 2 de março de 2020

TERCEIRIZADAS: O SOFRIMENTO DE TRABALHADORES NAS ESCOLAS DA REDE ESTADUAL DE PERNAMBUCO

Imagens: reprodução



Trabalhadoras e trabalhadores da educação, que prestam serviços terceirizados nas escolas da rede estadual de ensino, denunciam as condições de trabalho em que estão.
Assédio moral, ameaças, salários atrasados... Foram muitos os depoimentos dos que sofrem com a precarização dos seus trabalhos e todos pediram para não serem identificados.

SALÁRIOS

“Eu estou com dois meses de salários atrasados...tudo que falam é ‘paciência’, mas meu filho chorando com fome não tem paciência não...o dono do mercado e da farmácia que eu devo não tem paciência...a gente chega a pegar dinheiro com agiota pra pagar as contas, e eles também não têm paciência...é um inferno...sinceramente, se me mandassem embora hoje garantindo minhas contas, pra mim era um alívio, pois eu iria pra uma roça, fazer um bico...mas a gente tem que aguentar esse monte de coisa porque não tem promessa em lugar nenhum...” declarou um funcionário da portaria.

ASSÉDIO

“A gente quando cobra resposta sobre atraso de salário ou sobre fardamento ouve logo a piada: ‘Se não estiver satisfeito, tem um fila esperando pela sua vaga’. Se insiste ou mesmo cogita parar e cobrar nossos direitos, pode ter certeza que, em pouco tempo, recebe a carta de aviso prévio.” Declarou uma funcionária da cozinha.

“Esses empregos são todos indicação política de algum deputado, então se a gente reclama, corre o risco de perder a vaga pra outro.”

“Minha função é no portão controlando a entrada e saída das pessoas, mas quando a gente assume o contrato avisam que estamos à disposição do gestor da escola. Somos contratados para um serviço, mas acaba sendo obrigado a assumir outras tarefas...Mexer na eletricidade, pequenos consertos...já fiz de tudo nas escolas que passei. Nunca fiquei em apenas uma função, mesmo recebendo, quando recebia, pra ser porteiro.”

CONDIÇÕES DE TRABALHO

“A gente fica debaixo de sol o dia todo...antes podíamos ficar no segundo portão, que tem uma sombra. Mas chegou ordem dizendo que é pra ficar no primeiro portão e lá não tem sombra...”

“Estou vindo trabalhar com a bota furada e a farda desbotada. Disseram que era pra eu comprar outra, mas se não tenho dinheiro em dia sequer para pagar minhas contas, como vou pagar para trabalhar?”

“A gente tem uma hora pro almoço. É correr pra casa, comer e voltar rápido...qualquer atraso é anotado e pode virar desconto no salário.”

DIREITOS TRABALHISTAS (?)

Estarem em função terceirizada, após reforma trabalhista, já aponta para perda de direitos e precarização das condições de trabalho. Os empregos serem indicações políticas inibe qualquer tentativa de organização sindical.
Alguns dos entrevistados disseram ser sindicalizados, mas não sabem como se deu a filiação.
“Quando eu recebia contracheque vinha lá um desconto de sindicato, quando perguntei se era obrigatório, disseram que se eu quisesse me desfiliar tinha que ir em Caruaru..aí a pessoa desiste. Quando e como eu ia poder viajar? Não me importaria de pagar o sindicato se realmente ele lutasse por nós, mas a gente não sabe nem quem são.”
O sindicato a que esse funcionário se referia é o Sindicato Inter Dos Empregados De Empresas De Asseio Conservação, Limpeza Urbana E Condomínios Do Sertão De Pernambuco (Siemaco-PE), que tem sede em Petrolina e Salgueiro.
As firmas terceirizadas que prestam os serviços de segurança, alimentação e limpeza na cidade em que foram coletados os depoimentos são: "Soluções" e "Unika".
O Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Pernambuco (SINTEPE), em sua última assembleia de organização da campanha salarial 2020 incluiu entre os encaminhamentos da mesa permanente de negociação um ponto de cobrança em favor desses profissionais.
“Mesmo nosso sindicato não sendo legalmente representante direto dessas trabalhadoras e trabalhadores, pois, por serem terceirizados não podem se filiar ao nosso sindicato, compreendemos que é importante sermos solidários e cobrar dignidade e respeito a direitos trabalhistas básicos.” Declarou o diretor de políticas sociais do Sintepe, Paulo Ubiratan.
Não conseguimos entrar em contato com as empresas citadas, mas o espaço está aberto para declarações.

Sites das empresas citadas:







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