domingo, 27 de setembro de 2015

GRÊMIO ESTUDANTIL LIVRE, CONSELHO ESCOLAR... COMO SE DECLARAR ESCOLA DEMOCRÁTICA SEM ANTES GARANTIR MEIOS DEMOCRÁTICOS?

Foto: Daniel Filho. Nazaré, gestora da Escola de Jatobá, entrega
chave da sala do Grêmio à nova composição.

Participação política popular é construída gradativamente e, no chão da escola, é que se inicia. Mas é comum ouvir de alguns “gestores democráticos” frases como:

“Nós incentivamos a criação de conselho escolar, mas ninguém quer participar. É um sacrifício encontrar quem queira!”

“Os jovens não gostam de política. Até incentivamos a criação dos grêmios, mas eles são imaturos e, no fim, não querem responsabilidade!”

As frases soam verdadeiras por estarem imersas da zona de conforto que é gerir sem confronto, debate e fiscalização. Mas, sinceramente, é possível crer que nas escolas NINGUÉM se interesse pelas contas e planos da escola? A resposta dos “democratas” é um sonoro SIM!, mas o que se esconde por trás dessa inércia?

ABORDAGEM

Em diversas escolas presenciei como se dava a organização e convocação para formação de conselho. Primeiro se apresentam as problemáticas, seguida pelas dificuldades e concluídas pelas responsabilidades jurídicas e até penais em se participar para, só no fim do terrorismo, se afirmar: “Sua participação é muito importante”.

Foto: Daniel Filho. Maria Ozita, coordenadora da escola e

 principal incentivadora para criação e manutenção do 

Grêmio da Escola de Jatobá.

A “iniciativa” democrática, consciente ou inconscientemente, levam aos pais trabalhadores e jovens a mensagem: “É muita responsabilidade para nada! Não vale a pena”. E recursos ficam a mercê de poucos. Projetos e decisões ligadas diretamente ao cotidiano de pais e alunos, decidido por um corpo de funcionários que, obviamente, são tendenciosos a decidir porque lhes é mais confortável e não pelo que de fato é pedagógico e democrático.
Então a decisão de permitir ou vetar o uso de celulares pelos alunos, por exemplo, passam a competir aos funcionários que não cogitam vetar o próprio uso. A decisão de onde instalar aparelhos de ar-condicionado fica nas mãos dos que irão se beneficiar (já perceberam quais os primeiros e últimos ambientes a serem climatizados em uma escola?). A forma de avaliação, reprovação e aprovação atingirá a maioria, mas será definida por uma minoria.
Obviamente que a matéria não generaliza, mas provoca.

REGRA OU EXCEÇÃO?

Nas últimas semanas acompanhamos todo o processo de eleição para o terceiro mandato consecutivo do Grêmio Estudantil Livre da Escola Jatobá. O processo é acompanhado de perto pelos antigos membros, apoio pedagógico e o debate é incentivado através da rádio escolar e pátio com regras construídas em conjunto pelas chapas concorrentes.
A todos esses jovens foi permitida a percepção de que, na política, se erra e acerta, mas não se omite.

Foto: Daniel Filho. Maria Luiza,
eleita presidenta do Grêmio naEscola de Jatobá 

Na escola Icó-Mandantes o grêmio estudantil foi criado e, junto à gestão, vem trabalhando pela melhoria do entorno da escola, com criação de horta e limpeza do ambiente, e em palestras e eventos pedagógicos para atingir o verdadeiro foco desse ato: a aprendizagem. E qual a diferença desses jovens para o de outras escolas? A abordagem. Feita através de estímulo, seu nascimento é instigado naturalmente e seu percurso acompanhado para garantir a autonomia, e não o engessamento em benefício da gestão. Quando é feita pelo terror ou “por acaso”, não nasce.
Todas as escolas que se declaram democráticas (públicas, privadas, municipais, estaduais e federais), deveriam ter como primeira responsabilidade o estímulo ao fazer democrático com reuniões ordinárias e extraordinárias com análises e deliberações para a melhoria do convívio. Que haja a democracia do consenso, onde até o último argumento contrário é ouvido e discutido para compreensão difere da falsa democracia da “maioria” que intimida, quando não exclui, a minoria e define de forma arbitrária a melhor maneira de manter a maquiagem da incompetência.
Aos principais envolvidos pelos exemplos citados aqui perguntamos qual a importância de se criar e manter um grêmio estudantil as respostas você confere na próxima publicação.

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