sábado, 19 de janeiro de 2019

CARTA ABERTA AOS EMPREENDEDORES DE PETROLÂNDIA

http://www.petrolandia.pe.gov.br/~petrolandiapego/_imgs/logo.png 
 
O turismo é um fenômeno que alia emprego, renda e qualidade de vida. Depende de esforço do município, do estado, do governo federal e, sobretudo, da sociedade civil. Em 2019 seremos um dos principais destinos do Sertão. E, você empreendedor, precisa decidir se quer participar ou apenas assistir esse grandioso momento. Temos um diagnóstico e um plano de ação do turismo para o ano de 2019. Entre as várias ações programadas, queremos chamar a sua atenção para a parceria entre a Prefeitura, Sebrae e Senac que trouxe a Unidade Móvel de Turismo e Hospitalidade (carreta do Senac) para Petrolândia com previsão de ficar até o próximo dia 31 de março.

Infelizmente não houve o interesse dos proprietários de bares e restaurantes na inscrição de funcionários para fazerem cursos de culinária e de garçons. Lembrando que com a contrapartida da Prefeitura e do Senac esses cursos tem os valores reduzidos. Os cursos de Senac são reconhecidos em todo o território nacional. Ainda há tempo. Estão disponibilizados os seguintes produtos:

• Elaboração de roteiros turísticos – 30h


• Congelamento de alimentos – 20h


• Preparação de doces e compotas – 15h


• Minechefs – 15h


• Gestão de bares e restaurantes – 30h


• Culinária a base de peixe e frutos do mar – 15h


Diante da problemática da não formação das turmas, estamos com dificuldades em manter a carreta do SENAC em nosso município. E para que isso não aconteça solicitamos a colaboração de todos de forma a se empenharem em capacitar-se para oferecer um serviço cada vez melhor aos seus clientes. Uma vez que nosso município está com grande visibilidade na mídia e com investimentos concretos em andamento, tais como: Parques aquáticos, chalés, empresas de agenciamento entre outros. Lembramos que esses cursos sempre são cobrados por proprietários de restaurantes, bares, lanchonetes, pousadas, hotéis entre outros, entretanto, não entendemos a não valorização dos mesmos
 
Nesse sentido o Conselho Municipal de Turismo de Petrolândia faz mais esse apelo para que a sociedade e, sobretudo, quem acredita no turismo procure a Sala do Empreendedor para efetivar sua inscrição.

Petrolândia, 18 de janeiro de 2019.
MEMBROS DO CONSELHO MUNICIPAL DE TURISMO

sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

ALVO DE SECRETÁRIO RURALISTA, ESCOLAS DO MST SÃO REFERÊNCIA EM ALFABETIZAÇÃO NO CAMPO

Secretário de Assuntos Fundiários, Nabhan Garcia chamou as escolas do movimento de "fabriquinhas de ditadores"
Mauro Ramos
Brasil de Fato

Filhos de trabalhadores rurais sem-terra no estado de Alagoas - Créditos: MST | AL 
Filhos de trabalhadores rurais sem-terra no estado de Alagoas / MST | AL
O secretário especial de Assuntos Fundiários, Luiz Antônio Nabhan Garcia, afirmou que pretende fechar as escolas do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), chamando-as de “fabriquinhas de ditadores”. Em entrevista à revista Veja, Nabhan Garcia disse que o movimento de luta pela reforma agrária é uma “organização criminosa” e defendeu o direito de os fazendeiros utilizarem armas de fogo quando tiverem propriedades improdutivas ocupadas.
Segundo a assessoria de imprensa do MST, cerca de 1,5 mil escolas do movimento são responsáveis pela educação de crianças e jovens de 7 a 14 anos. Destas, 1,1 mil são reconhecidas pelos conselhos estaduais de educação e cultura.
Presidente da União Democrática Ruralista (UDR), vinculada ao patronato rural, Nabhan Garcia é conhecido por apoiar o desmatamento da Amazônia. Ele também teve que depôr à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da Terra por porte ilegal de armas, contrabando e organização de milícias privadas na região do Pontal do Paranapanema, em São Paulo. A UDR, por sua vez, tem sido questionada pelo MST e por intelectuais brasileiros desde a sua formação. No livro A Nova Direita - aparelhos de ação política e ideológica no Brasil contemporâneo, Flávio Henrique Calheiros menciona a UDR como um dos "aparelhos organizativos da burguesia brasileira".
O autor afirma que, durante Assembleia Constituinte, em 1987, a organização “atacou de forma veemente o trecho da proposta da Constituição referente aos direitos sociais”.
Integrante da direção nacional do MST, Kelli Mafort conversou com o Brasil de Fato e respondeu às declarações do funcionário do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento: “Nabhan tem que responder como a regularização fundiária da sua secretaria vai atuar diante do grave problema da fome e da miséria no país. O MST e a luta popular têm resposta direta e simples para tal problema: acabar com os privilégios do agronegócio e sua verdadeira mamata de sonegação fiscal e incentivos do Estado. Fazer reforma agrária, com moradia, trabalho e direito à alimentação, educação e cultura para milhares de sem-terra”.

Em relação aos privilégios denunciados por Mafort, Nabhan se solidarizou com o agronegócio ao afirmar que “está havendo uma cobrança muita alta para a propriedade ser considerada produtiva”. Ainda sobre o assunto, declarou que o apoio do governo, como os programas de refinanciamento de dívidas, “é para quem trabalha e produz”.
Nabhan tem articulado, junto ao governo Bolsonaro (PSL), o perdão das dívidas de empresários ruralistas com o Estado, que somam R$ 17 bilhões. Ao ser consultado sobre o seu posicionamento em relação ao Programa de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), afirmou à Veja: “Agricultura familiar não é minha área, mas sou contra o programa. Dinheiro público não é para ser jogado na lata do lixo”.

Escolas do MST
Mais de 200 mil estudantes têm acesso à educação graças ao MST. As escolas somam cerca de 4 mil professores, além de 250 educadores que trabalham nas Cirandas Infantis – onde é realizada a educação de crianças de até seis anos ou na faixa da alfabetização. São 320 cursos divididos em 40 instituições de nível fundamental, médio, técnico, superior e educação de jovens e adultos (EJA).
A auto-organização do movimento permitiu que mais de 20 mil pessoas fossem alfabetizadas no Maranhão, estado com a terceira maior taxa de analfabetismo no país.
As aulas do programa "Sim, eu posso", inspiradas no método cubano de alfabetização, são oferecidas em 15 municípios com os menores Índices de Desenvolvimento Humano (IDH) do estado. 
Segundo o Índice de Desenvolvimento na Educação Básica (IDEB), duas escolas do MST no Piauí obtiveram em 2018 os maiores índices na educação básica.
O IDEB foi criado em 2007 pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Segundo informações do portal do Ministério da Educação, ele funciona como um indicador nacional que possibilita o monitoramento da qualidade da educação pela população.
Meio ambiente
Nabhan especula que a Terra Indígena Raposa Serra do Sol possa ter sido demarcada com base em “estudos ideológicos, estudos tendenciosos”: “Você sabe que está cheio de laudo antropológico falso, que há atuação de ONGs com interesses escusos, que há atividades econômicas clandestinas em várias áreas indígenas”. O secretário afirma que o governo está trabalhando para encontrar “falhas, erros e procedimentos que fogem dos princípios legais”, para revisar a demarcação.

Apologia ao crime
Nabhan defende assassinatos de camponeses sem-terra – segundo ele, em legítima defesa: "Às vezes, o fazendeiro, na iminência de ser morto, de ver um filho assassinado ou ter a sede da propriedade queimada, vai lá e mata um sem-terra. O que acontece no outro dia? O sujeito que morreu vira mártir, e o que atirou passa a ser o vilão, vira réu, pega 30 anos de prisão. Está tudo invertido".
Para Mafort, a declaração expressa “a violência do latifúndio, que se vale da impunidade como forma de continuar perseguindo, torturando e assassinando". A dirigente prossegue: "São as mãos dos latifundiários que estão manchadas do sangue de Irmã DorothyChico MendesOziel Alves e seus companheiros massacrados em Eldorado dos Carajás. Crimes investigados, e alguns impunes, mas todos com as digitais do legado da UDR. Nenhum desses lutadores tentou matar um fazendeiro. Isso é falácia, verborreia de secretário que tenta emplacar fake news sobre vidas ceifadas por criminosos e seus mandantes. E com a suposta modernização do agronegócio, os crimes continuam sendo cometidos, como demonstra a recente condenação da empresa Syngenta pelo assassinato de Keno, militante do MST no estado do Paraná".

"Nabhan, seus comparsas da UDR e do latifúndio já foram derrotados na década de 90 pelo MST e pela sociedade. Muitos assentamentos foram feitos a partir da luta popular, e em cumprimento constitucional da função social da terra. Não será tarefa fácil, mas certamente derrotaremos mais uma vez essas teses arcaicas de Nabhan, com a luta e a organização popular", finaliza a dirigente nacional do MST.
Edição: Daniel Giovanaz





“QUINZE DIAS DE GOVERNO E NENHUMA MEDIDA PARA A SAÚDE”, CRITICA ALEXANDRE PADILHA


Padilha criou o programa Mais Médicos, em 2013 - Créditos: José Eduardo Bernardes 
Padilha criou o programa Mais Médicos, em 2013 / José Eduardo Bernardes

"Sem SUS não existiria SAMU, transplantes, nem bancos de sangue"

O programa "No Jardim da Política" desta semana recebeu no estúdio o deputado federal Alexandre Padilha, médico e ex-ministro da Saúde durante o governo Dilma Rousseff (PT). Padilha foi o criador do programa Mais Médicos, responsável por garantir atendimento em regiões isoladas do país ou com déficit de profissionais a partir de 2013. Para o deputado, o governo Bolsonaro (PSL) é uma ameaça para a saúde pública no Brasil. “Estamos chegando a 15 dias de governo. Teve decreto para liberar arma, teve liberação para invadir terra indígena e, até agora, para a Saúde não teve nenhuma medida”, aponta. 
O ex-ministro relembra as conquistas e avanços decorrentes da relação do governo federal com Cuba. “Nossa parceria com Cuba vai além dos Mais Médicos. Em uma visita a Cuba, com Dilma, fizemos parceria para trazer medicamentos que Cuba produziu. Para diabetes, por exemplo: a maior causa de amputações de pés no Brasil é de origem da diabetes, e Cuba é responsável pelo remédio. A vacina do HPV também é parceria nossa, trouxemos para cá para produzir aqui”, conta. Padilha também comenta que, de 2013 para cá, o Brasil avançou no combate a AIDS, outro legado ameaçado no governo Bolsonaro.  
Padilha critica o decreto que flexibiliza a posse de armas. Para ele, “permitir que se criem batalhões privados na casa das pessoas é uma legalização das milícias que existem e das que vão existir”. O deputado alerta ainda que a medida vai impactar diretamente o sistema de saúde pública, com mais mortes e acidentes decorrentes de arma de fogo.
O deputado federal explica que o atual governo não tem preocupação em governar para a maioria da população, e cita como exemplo as declarações negativas referentes aos médicos cubanos. Os insultos fizeram com os profissionais saíssem do Brasil, impactando a população brasileira usuária do SUS. “Acho que a situação vai se agravar até março, até agora não vi do atual governo nenhuma proposta completa para resolver o problema. E quem mais vai sofrer? As pessoas da periferia. O impacto imediato é a interrupção do atendimento, por exemplo, para quem tem diabetes, que precisa refazer receita a cada dois meses”, conclui. 
Padilha ressalta que, nas áreas indígenas, 75% do atendimento era realizado por médicos cubanos. Até agora, as vagas não foram preenchidas. O ex-ministro lamenta os efeitos do que denomina "triplex do golpe" para a saúde pública: aumento da mortalidade infantil, ressurgimento de doenças facilmente controladas por vacinas e aumento de internação e mortalidade por doenças crônicas. 
Outro problema a ser enfrentado durante o governo Bolsonaro é o desmonte do SUS, iniciado no governo Temer (MDB) com a emenda do Teto de Gastos Públicos. Para Padilha, o novo governo abandonará o SUS se não mudar as regras do teto de investimentos para o setor. 
O ex-ministro da Saúde reconhece que o SUS possui inúmeros problemas, mas ressalta o histórico de avanços nos últimos 30 anos. “Sem SUS não existiria SAMU, transplantes, bancos de sangue, diminuição da mortalidade infantil. Antigamente, os bancos de sangue funcionavam no sistema privado, com venda de sangue”, lembra. 
Além da entrevista no estúdio, o programa também contou com um bate-papo com Toni C, escritor e produtor cultural do LiteraRua, coletivo de artistas que promovem a cultura da periferia por meio de livros. “Precisamos ter diálogo. Estamos em um país onde as pessoas aprenderam e passaram a exercitar a violência, dos dois lados. Sem o diálogo nada acontece”, sintetiza o artista.