sexta-feira, 13 de novembro de 2015

DESDENHANDO A MULHER QUE CRESCE, LUTA, LIBERTA-SE, SONHA...


Destrinchar a mulher é elevar nossa memória há séculos passados, podendo comparar com o processo de escravidão, onde a luta, confronto, (i)limitação, persistência, foram destacadas dentro deste período que até hoje convém.  Convém, porque ainda existe o preconceito enraizado do tradicionalismo ditatorial que resultam de antigas memórias:  memórias de medo, de apego, de luta por riqueza, soberania, poder, pertencimento.
Como alguns sabem, a mulher nunca foi preparada  para TER, mas para SER: Ser escrava, abusada, Submissa, “liberta para procriar”, para ser mãe, ser dona de casa, ser “muda”, ser ,apenas ser. Este giro de ditações foi sendo transferido de geração para geração, e, Ela (MULHER), foi sendo crédula do que poderia fazer. O chefe de família, da sociedade, sempre foi o HOMEM. Cabia-o ser o chefe da família, da guarda, dos ritmos da sociedade que, para uma mulher seria total imprudência, afinal, ela era taxada como o “sexo frágil”, “A mocinha”, “A mulherzinha", sem mínima condição de governar absolutamente nada! 
O Machismo reinou por  muitos séculos dentro da sociedade, claro que hoje, ainda encontramos traços trágicos da contaminação machista, como por exemplo, disseminação de preconceitos vulgares permanentes. Qualquer comportamento que o ser humano venha ter hoje é comparado como “comportamento de mulher”, Mas por quê? Por não ter liberdade de expressão. Isso é bruto, negligente e épico.  Um dos índices dá má formação de conhecimento e educação. 
O ser machista não advém apenas do “bater em mulher”, como também, do causar estupro, do dizer que: “mulher não é boa motorista”, “mulher que usa roupa curta tem que ser atacada”, “para ser minha serva”... São conceitos ditos por muitos homens que vivem em um redemoinho imbecil, que tem pensamentos limitados. O pior é saber que muitas mulheres ainda acreditam nas causas que acha que lhe forma.
Hoje, eu, como mulher, posso moderadamente afirmar que sou inclusa dentro desta sociedade, como crítica, estimuladora, singular e ativa.
Enfrentei muitos problemas psicológicos por seguir uma demanda encandeada de regimes ainda ditatoriais, aprendendo que, menina só pode brincar com menina, que menina não pode consertar bicicleta, trocar a lâmpada, pôr um prego em uma tábua, tudo isso,  por ser “afazeres masculinos”. Mas a inteligência é apenas um “fazer” masculino?
Carrego uma cultura, valores que se possível, até nos dias de hoje, seguiria essas regras que determina o que é do homem e da mulher. Infelizmente, muitas famílias são formadas assim, gradativamente taxadas pelo que pode ser e não ser, principalmente nas zonas rurais, que é de onde venho. Os sonhos são poucos, e a ilusão é conhecida como VIDA. O “achismo” reina como centro de poder, e o conhecimento é estupidamente regrado. Para criar asas é preciso ser de fato ousado, despir das vestes de comodismo e de preconceito próprio. Tinha em mente, que, se Eu não estivesse dentro dos parâmetros da sociedade, dentro do que ela queria, eu não era comum, eu não estava sendo como eles, como ela. Estaria sendo a pior das ridículas, por não agradar aos outros.  Isto, obviamente, por ter em mim um preconceito de Não Aceitação. De não me reconhecer-me e deixar ser quem eu quero ser.
Lutei por muito tempo. Me desgastei, me destruí e me reconstruir. Devo ressaltar que com estudo firme de muitas teorias e composição da sociedade, e da atuação da mulher dentro dela, me ajudaram passivamente a mudar o meu interior, o meu ego.
Eu me tornei mulher, descobrir isso aos 20 anos, após uma pequena bagagem que hoje habita em mim. Liberdade, expressão, identidade, autoafirmação. Pilares que firmemente me constroem, abstraindo um amor próprio, que nenhum homem ou qualquer ser humano podem tirar, por que tenho uma opinião cerrada, e o que me faz ser, me constrói.
Quero fazer parte das poesias que são espalhadas por esse mundo.
Quando , mulheres, sereis Uma Mulher de Chico Buarque, de Vinícius de Morais, de Clarisse Lispector, de Machado de Assis, de José Luiz Peixoto, de Boris Vian, de Cecília Meireles, de Carlos Drummond? Quando? Quando se desprenderá do medo? Das regras ilusórias da sociedade? Quando será Luísa, será Maria, Joaquina, Virgínia, Cecília, Amélia, Carmélia, Maria? Quando, Maria?
“Ouvi voz de mulheres que dormiam, que não viam o soar do dia, que esperavam o sol se pôr pra banhar e logo ter que voltar, pra que o dia se tornasse dia. Vejo o sertão ganhando chão, pela bravura sertaneja cantarolar com firmeza, um país sem menos corrupção; corrupção machista, que ao invés de amar abriga, razão, punição e briga, por não permitir que a feminilidade é questão de poesia, de inteligência, permanência , mas olha, espia! Oh! Homem, vede que questão de gêneros não dissemina cor, opção, questão, mas com competência de sabedoria. Mulher está ganhando o mundo, com encantos, lutando e chegando, mostrando a bravura que não era vista”.
Quando passamos a nos conhecer de fato, aprendemos a mudar os conceitos rígidos do mundo.



Tailane Lisboa, 22 anos, natural de Petrolândia-Pe, professora de Língua Portuguesa, Filosofia e Arte na escola estadual Icó-Mandantes, graduada em Licenciatura plena em Letras pelo CESVASF , atualmente mora no projeto Icó-Mandantes, agrovila 05 bl. 04.