segunda-feira, 18 de julho de 2016

ELEIÇÕES MUNICIPAIS 2016 – BLOCOS DIVIDIDOS

Imagem: Divulgação


A indicação do pastor Ricardo Rodolfo como nome a suceder o prefeito Lourival Simões põe fim a um mistério e fecha, momentaneamente, o círculo de pré-candidaturas ao cargo máximo das eleições 2016.
O cenário apresentado até aqui pode ser dividido em dois blocos distintos: um bloco de políticos experientes e ou de mandato (Doutor João, ainda sem indicação de um nome a vice; Fabiano Marques com o vereador Rogério Novaes como seu vice); e outro bloco formado por pessoas que nunca participaram de cargo eletivo (professora, camponesa e sindicalista Adriana Gomes de Araújo e o pastor da Igreja Batista Missionária Ricardo Rodolfo, ambos, ainda, sem definição pública de quem irá compor a chapa como vice).

BLOCO DA EXPERIÊNCIA POLÍTICA

Todos os nomes apresentados até aqui carregam simbologias e pesos variados. Os primeiros a se apresentarem, João Lopes e Fabiano Marques, têm experiência política, detêm, ou detiveram, cargos eletivos e tal experiência trazem uma natural e esperada rejeição da parte do eleitorado que se mostra desacreditada no processo eleitoral. Muito da desesperança é reflexo do cenário nacional que soa desolador aos que são bombardeados, cotidianamente, pela grande mídia sobre escândalos políticos diversos.
No entanto ambos defendem pontos altos recentes para defender a tese de que emplacam seus nomes na disputa ao cargo máximo com chances de vitória. João Lopes, tem relevante histórico como médico e diretor presidente da IBVASF (Instituto Beneficente do Vale do São Francisco) na cidade. Foi candidato ao cargo de deputado estadual pelo PSB em 2014, alcançando expressivos 7.076 votos somente em Petrolândia. Sustenta a tese de que esse amplo resultado, somado a pesquisas que diz ter em mãos, são determinantes para sua vitória.

Fabiano Marques, de família tradicional, empresário, vereador e presidente da Câmara de Vereadores, conta com a inédita consolidação de uma oposição à gestão municipal de seis vereadores (quatro saíram da base aliada do governo) onde se posiciona como principal liderança. O alto índice de rejeição ao atual prefeito somado a defesa de sua pré-candidatura por nomes como o deputado estadual Rodrigo Novaes (PSD), deputado federal Zeca Cavalcanti (PTB) e o senador Armando Monteiro (PTB) dão respaldo à tese de que pode vencer as eleições.

BLOCO DA NOVIDADE POLÍTICA

Do outro lado da disputa duas grandes surpresas à população por serem apresentados como a “oxigenação” e novidade política da cidade.
Ricardo Rodolfo é um importante Líder religioso no município, pastor da Igreja Batista Missionária, tem trabalho social reconhecido nas comunidades que passa através das mobilizações de caridade e do seu olhar para os dependentes químicos que atende pela Comunidade Terapêutica Peniel.
Detém posicionamentos conservadores sobre temas que vão de encontro às principais pautas progressistas da atualidade: defensor do estatuto da família, cujo teor define como família apenas o núcleo social surgido da união entre homem e mulher por meio de casamento, remetendo a temas e conceitos polêmicos como “ideologia de gênero” e “família natural”, o pastor se posiciona claramente contrário a pautas relacionadas às reivindicações das comunidades LGBT’s, feministas e religiões de matriz africana.
Enfrentará a desconfiança de parte da população não somente por ir à disputa sucedendo uma péssima e altamente rejeitada gestão, mas principalmente ao que concerne a seus posicionamentos ideológicos e o quanto estes poderão influenciar a figura de um gestor municipal em um país (que deveria ser) laico.
Adriana Gomes de Araújo, professora, camponesa, sindicalista, mãe de quatro filhos, única mulher no embate é a primeira da história do município a concorrer ao cargo. A pré-candidata construiu sua história política em bases sociais sólidas ligadas aos movimentos sociais e sindicais que fizeram história na transição da antiga para a nova cidade.
Tem apoio de importantes movimentos sociais por reforma agrária, ambiental, moradia e minorias principalmente a partir de lideranças do MST, STR, lideranças Pankararu, FETAPE, CUT, Pólo Sindical, os partidos PT e PSOL, entre tantos outros colaboradores.
Seu nome e atividades de pré-campanha enfrentam resistência em aparecer na mídia local. Seu nome é omitido nas principais pesquisas de intenção de voto. Consequentemente gera a desconfiança à população de seu nome ser, efetivamente, um forte concorrente para enfrentar as máquinas de seus opositores (saúde, câmara de vereadores e prefeitura). Enquanto liderança da igreja católica está alinhada à corrente teológica da libertação que, em sua concepção, opta pela defesa dos mais pobres a partir ciências humanas e sociais. Defende o orçamento participativo como melhor mecanismo de gerir uma cidade partindo do princípio que a população deve ter acesso à receita municipal e definir os rumos dos investimentos de acordo com o que é prioridade nas suas comunidades.

Traçado um breve perfil de cada um dos pré-candidatos apresentados à população até aqui, o cidadão petrolandense tem uma variedade de posicionamentos e visões políticas bem distintas e, finalmente, ao menos até esse momento, não será justo se afirmar que: “Não tem opção de voto!”
Opções não faltam.  
Desejamos a todos os pré-candidatos que respeitem os períodos determinados pelo TSE para pré-campanha e campanha eleitoral e que proporcionem um grande nível de debates políticos tão necessários ao município.