quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

NOITE DE PROTESTO NA CÂMARA DE VEREADORES

Imagens: Daniel Filho


Hoje (22) a reunião ordinária da Câmara de Vereadores teve um cenário inusitado com presença da Polícia Militar. Com bocas fechadas por fitas adesivas e cartazes nas mãos com dizeres: “A CASA É DO POVO, MAS O POVO NÃO TEM VOZ!”, Said Sousa, candidato a vereador na última eleição, e amigos protestaram pacificamente contra o veto da câmara ao seu pedido de fala na tribuna que almejava expor, em dez minutos, sua sugestão de implantação de uma agência de emprego no município. O pedido foi negado pelo jurídico da casa sob alegação de que tal pedido feria o regimento interno da casa:

A frase soa absurda e é:

"Não será permitida aos cidadãos"

“(...) o cidadão solicitante (...) não apresentou documento probatório de que é credenciado a órgão de imprensa ou ser representante de entidade representativa, sindicatos, etc
(...) a competência para firmar o tipo de convênio (...) é de exclusividade do executivo(...) Assinou o assessor jurídico da casa, Joaquim Suarez Rodriguez.

“Como assim eu não posso ter direito de falar? Essa não é a casa do povo? Essa casa deveria ser para ouvir o povo...” desabafou Said através de rede social. 
O grupo saiu em fileiras exibindo os cartazes aos presentes. 
Os únicos vereadores a reconhecerem e citarem o protesto foram José Luiz (Zé Pezão), cuja fala não passou de uma simples saudação e questionamento do motivo de Said estar "amarrado", e o presidente da câmara, Delano Santos, que não quis assumir responsabilidade na proibição:

“Eu não proibi a fala de Said, como afirmaram alguns blogs, foi a própria lei da casa que já existia antes de eu chegar aqui (...) Pelo regimento não pode o cidadão falar sem representatividade..."

Todos os demais vereadores optaram por ignorar a presença dos manifestantes.

“Fui presidente da câmara por dois mandatos e nunca vetei a fala de ninguém que viesse pedir o espaço à tribuna, mesmo estando previsto em regimento...” Declarou Fabiano Marques, questionado pela nossa reportagem através de rede social sobre o caso.

ÁGUA PARA O BREJINHO DE FORA E GREVE GERAL

Falta de abastecimento de água é um problema grave que ainda, sem previsão de melhoras, atinge diversas comunidades do município. A representante da etnia Pankararu, Josenilda Marques, reivindicou em nome de sua comunidade o abastecimento de água no Brejinho de Fora, denunciando o absurdo de ainda se pagar por água através de carros pipas. 
Houve denúncia ainda em esfera nacional. O vereador Antônio Pereira (Toinho) lembrou e provocou a reflexão sobre o massacre ao povo brasileiro se aprovada a reforma da previdência:

“Parece que o povo só foi pras ruas pedir pra tirar Dilma e depois esqueceu, só que o que está por vir aí é muito pior. Gente, é um absurdo exigir que se contribua por quarenta e nove anos para poder se aposentar... Precisamos dar apoio às centrais sindicais..."

Sua fala foi rebatida pelo vereador Evaldo:

“Acho importante você dar apoio à luta dos sindicatos e citar esse governo ilegítimo, mas é sempre importante lembrar que o senhor compõe a base desse governo ilegítimo. O prefeito que o senhor apoia tirou foto ao lado de Michel Temer para pedir recursos para a cidade... Então é preciso ser coerente com a fala e com a prática. O senhor fala de participação na Greve Geral, mas é preciso ver se o senhor vai poder participar. Se puder, ótimo, realmente precisamos unir forças."

A Greve Geral, convocada pelas principais centrais sindicais e movimentos sociais do país, está marcada para o dia 15 de Março. E, de acordo com o posicionamento de parte dos vereadores, tanto da base quanto oposição, sem ressalvas de nenhum dos demais, todos irão apoiar e participar das atividades de protesto nesse dia, em Petrolândia, junto aos sindicatos: STR, SINSEMP, SINPRO, SINTEPE, além de associações, movimentos estudantis e sociais.

Abaixo imagens do parecer jurídico que vetou a fala de Said e mais imagens da reunião:













3 comentários:

  1. ADV. João Ferreira F. Junior22 de fevereiro de 2017 23:03

    Fui o primeiro Assessor Parlamentar desta Casa Legislativa, e desde 1995, a Tribuna era o instrumento de voz dá população, que em certos momentos, dela fazia uso, mesmo apenas na condição de lideranças ou mesmo cidadãos comuns.
    Há regras para o espaço da "tribuna popular", como exceção, pois a regra democrática, de que o poder emana do povo, referi-me ao ato dá delegação de tal poder no ato do voto. Logo, tal povo está representado pelos ilustres edís, parlamentares desta urbe. Mas, vez ou outra ouvir a expressão do povão, que mal há?
    Será que não está na hora de reformar nossa LOM, Regimento dá Câmara... E o Plano Diretor?

    Mudanças estão por vir. Eu Acredito!

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  2. Essa câmara de vereadores de Petrolândia-pe, parece mais com um circo, tá cheio de palhaços, kkk

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  3. Será que já não passou da hora, do povo ignorar todos os políticos que vão na sua porta pedir pra ser o seu representante, e na hora que vc precisa, ele fingir que não lhe conhece ??? Marlene Sandes

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