sábado, 11 de março de 2017

“NOSSAS ESCOLAS SÃO SEXISTAS”. PETROLÂNDIA DISCUTE, BRILHANTEMENTE, A SEMANA DA MULHER


Imagens: Daniel Filho

“Nem toda feiticeira é corcunda
Nem toda brasileira é bunda
Meu peito não é de silicone
Sou mais macho que muito homem”
Rita Lee

semana de atividades de discussão sobre gênero nas escolas da rede estadual Icó-Mandantes, Erem’s de Jatobá e Maria Cavalcanti Nunes, com os respectivos coletivos de gênero: Crespas e CacheadasReinventando Frida Kahlo Dandaras em reflexão ao dia internacional da mulher, culminou na mesa de debates com o tema “Lugar de Mulher É na Revolução” propondo a reflexão: No dia Internacional da mulher há o que comemorar? 

Imagem: Merylin Esposi

O depoimento da cantora paulistana Marina Melo (conheça mais em link ao fim da matéria), enviado na forma de vídeo atendendo ao pedido da estudante Maria Eduarda, sobre a motivação da composição “Laura”, a iniciar o ato, deixa claro que não.  A cantora envia uma saudação à escola Jatobá e explana o teor da faixa de seu disco Soft Apocalipse, cuja inspiração se deu pela campanha iniciada nas redes sociais "Meu Primeiro Assédio", onde milhares de mulheres publicaram depoimentos sobre a primeira vez em que sofreram assédio sexual:  “Quando você rasga uma você rasga todas nós... você propaga a tragédia” diz a estrofe. 

Imagens: Daniel Filho

O empoderamento feminino continuou com a interpretação de Siely Feitoza para canções consagradas como Pagu e Maria, Maria, que continuou lançando, ao lado das amigas Alessandra, Naila, Naiane, Taciana e Maria Vanessa, o manifesto “No dia 8 não quero flores e nem homenagens”, aplaudido calorosamente pel@s presentes.
A estudante Maria Luiza, mestra de cerimônia, convidou à mesa as professoras agraciadas pelo “Prêmio Naíde Teodósio”, Jussara Araújo e Suemys Pansani, representando, respectivamente, os coletivos Dandaras e Reinventando Frida Kahlo, Tailane Lisbôa, representando o coletivo Crespas e Cacheadas, Francis Capistrano, representando a Gerência Regional, Dulcilene Cordeiro e Marília Cantarelli, representando a coordenadoria da mulher e secretaria de Ação Social do município, e Salete Gonzaga, representando a secretaria estadual da mulher.

“Vivemos numa escola sexista, onde se ensina que existem cores e objetos de menino e de menina, que homem pode ‘isso’ e mulher ‘aquilo’ (...) ensina que não podemos ser o que quisermos ser e é por isso que o estudo de gênero é importante nas escolas. Muitos dizem que estudo de gênero é ‘ensinar o filho a ser veado e a ser sapatão’... Não é, pois ninguém vira ou deixa de virar, estudar as questões de gênero é emancipar para a compreensão que a mulher pode ser o que ela quiser”.

Disse a professora Jussara Araújo.

“Eu me questionei sobre o que poderia falar no dia de hoje, mas o que mais me assustou é que eu não precisei lembrar os acontecimentos dos últimos anos para montar meu discurso. O mais triste é que bastou que eu lembrasse a última semana, dentro dos muros da escola, a importância de se debater questões de gênero na escola (...). Montamos um mural com mulheres que fazem parte da história e passavam meninos comentando sobre a aparência de cada uma... Outros arrancaram a foto de Dilma do mural que, gostem ou não, foi a primeira mulher presidenta do país e ninguém apagará isso da história... Enfim, a necessidade de se discutir gênero é para mostrar a vocês, meninos, que vocês são tão vítimas quanto nós do machismo, a sempre impor que vocês sejam quem não querem ser, e a vocês, meninas, que precisamos ser irmãs e nunca rivais”.
Declarou Suemys Pansani.

A palestra magna, com Salete Gonzaga, expôs aos estudantes os conceitos de gênero e violência, gerando questionamentos importantes da plateia sobre violência, união das mulheres e preconceito.
As atividades de conscientização continuaram nas escolas e ruas com cineclubes, exposição de ensaio fotográfico e teatro de rua sobre a temática.
@s organizadores do evento convidam tod@s profissionais de educação, tanto da rede municipal quanto estadual de Petrolândia, a expandir essas experiências.
Concluímos a matéria com a frase do coirmão blogueiro Leonardo Sakamoto:

“Neste 8 de março, Dia Internacional das Mulheres, nós, homens, deveríamos parar, ler, ouvir e refletir sobre como temos sido, consciente ou inconscientemente, por nossas ações ou nossa omissão, física ou psicologicamente, instrumentos de dor e opressão.
É (mais) um dia de luta para elas e deveria ser de silêncio para nós”.

Marina Melo (perfil):

Folha de São Paulo:

Música Laura:

Tailane Lisbôa -
Crespas e Cacheadas