terça-feira, 22 de setembro de 2015

CAOS NO TRANSPORTE ESCOLAR... ADIVINHA QUEM ELES VÃO CULPAR?

Foto: Daniel Filho

Na segunda parte da entrevista com Pinguim ele lança sua visão acerca dos estudantes das agrovilas, fala sobre os vídeos de estudantes do Icó-Mandantes que denunciam o modo como são tratados divulgados na matéria anterior (link para ler ou reler ao final da matéria) e ainda cita as polêmicas quebras de contrato de dois motoristas com o município. O que tudo isso tem a ver com estudantes perdendo aula por falta de transporte ou, quando têm, porem em risco suas vidas? Tem que ler pra tentar entender...
Acompanhem:

DF – Sobre o auxílio da conservação do patrimônio já fizemos matérias e pedidos ao prefeito para liberar o uso dos ônibus pelos professores daquela área que poderiam auxiliar nesse sentido...
PINGUIM – É, mas é proibido. Mas vamos essa semana reunir todos os conselhos da cidade para fazer um documento explicando toda a situação direitinho e encaminhar à câmara e o prefeito sancionar um decreto que permite o professor usar pra ajudar nessa situação... Daniel, tá sério. Até transporte de droga os ônibus têm, aí a polícia pode fazer abordagem? Não, porque são adolescentes... Então os professores vão poder ajudar nesse sentido.
Pensamos como, os contratados, que não recebem difícil acesso, vão poder usar o ônibus pra se responsabilizar pelo comportamento dos estudantes. Os que recebem (a gratificação) não...

DF – Pinguim, a gratificação de difícil acesso é para auxiliar o professor a pagar um transporte público. Nós não temos transporte público. Conheço muito professores que abririam mão da gratificação se tivessem como chegar ao local de trabalho...
PINGUIM – É... tem que ver isso.

DF – É pra esse ano ainda essa liberação?
PINGUIM – É...estaremos nos reunindo essa semana ainda...

DF – Temos estudantes perdendo semanas de aulas por falta de transporte. Isso é crime. Quando vai resolver essa situação?
PINGUIM – Hoje mesmo. Vou ligar pra Petrolina. Contratei dois ônibus. Eu tinha licitado algumas rotas que não estava usando, então vou ter que fazer um remanejamento. Um vai pra reta e outro pra seis dos Mandantes ao Icó. O do Icó vou remanejar pro Sem Terra ou São Francisco... Vou remanejar porque não posso mais contratar...

Foto: Daniel Filho

DF – E a situação dos estudantes do Instituto Federal?
PINGUIM – É justamente o do São Francisco... Aí tem três dias, ou dois, que ele não vem porque não tem estudante. Tem outro caso também quatro alunos que são do estado que vêm e não vão estudar. Andam não sei quanto quilômetros pra tomar cachaça... Aí você vai colocar ônibus pra rodar tantos quilômetros pro cara vir beber cachaça?

DF – Espera, não entendi. Esses estudantes não vêm por quê...?
PINGUIM – Não, eles vêm, mas não assistem aula. São quatro alunos. Dois da Escola Jatobá e dois da Escola Delmiro...

DF – Mas essa é uma responsabilidade da escola e da família, vocês não podem negar transporte público embasados nesse argumento...
PINGUIM – É... Sim, mas quanto aos estudantes do IF que recebi a lista aqui, o ônibus não vem porque está quebrado.

DF – Quebrado também...
PINGUIM – É...

DF – E resolve quando?
PINGUIM – Se a empresa tiver aprovada e tudo certo, resolve hoje mesmo. Mas vamos estudar o caso desses meninos que quebram o ônibus... Pra você ter uma ideia, foi um dia desse, uma menina vinha em pé, brincando, danou o cotovelo no vidro do ônibus que quebrou...

DF – Com o cotovelo quebrou?
PINGUIM – Pra você ver... Aí tem aluno que senta na frente do vidro do ônibus, o motorista pede pra descer, sabe o que diz?: “Venha me tirar se for macho!”. Aí, quer dizer, arruma confusão. Outra, estou indo com Evaldo pro Icó pra saber sobre o outro vídeo. Porque, segundo o pai de Fabrício, os meninos vinham pinotando, gritando dentro do ônibus... Aí os meninos fizeram um vídeo querendo tocar fogo no ônibus...uma confusão... Aí vamos conversar com a diretora pra saber como foi. Cada um diz uma coisa...

DF – É o vídeo dos meninos voltando a pé pra casa...
PINGUIM – É... E de fato uma pessoa que ia passando disse que viu. Disse que os meninos vinham num cabaré...

DF – Isso justifica o motorista parar e mandar todo mundo descer?
PINGUIM – Não, ele não mandou... Ele parou e disse que só ia seguir viagem se todo mundo se calasse e parasse a bagunça...

DF – Aí todos desceram...
PINGUIM – Desceram e começaram a xingar...

DF – E foram pra suas casas a pé...
PINGUIM – Foi (risos).

DF – Qual é o nome do motorista?
PINGUIM – É o pai de Fabrício. Haroldo.

DF – E a fumaça na roda do ônibus (sobre o outro vídeo de outro ônibus) foi só aquecimento?
PINGUIM – Foi. Aí Fabrício botou água na roda (risos)... Aí pensaram que ia pegar fogo. Realmente, se deixar esquentar demais, pega fogo...

DF – Mas os estudantes seguiram viagem no ônibus assim mesmo...
PINGUIM – Não, aí não sei... Vou ver com Fabrício.

DF – Os estudantes correram risco?
PINGUIM – Não... Fabrício é mecânico. Sabe dos ônibus dele...
Sim, lembrei de uma coisa... Eu tinha dois ônibus reservas quando comecei em Fevereiro. Um Melinha tirou em Fevereiro o outro era de Givaldo, que levava os Sem Terra, tirou em Março...

DF – E tiraram por quê?
PINGUIM – Porque disseram que estavam ganhando pouco... Mas licitação a gente tem que pagar o que tá licitando...

DF – E vocês não os puniram pela quebra do contrato?
PINGUIM – Não, a empresa que contratou é que tem que punir...

DF – Mas os ônibus não são particulares?
PINGUIM – É, mas foi a empresa que locou...

DF – Qual é o nome da empresa?
PINGUIM – R. Souza... R. Sena... Não, Rocha Sena...

DF – De onde?
PINGUIM – Petrolina... Aí eles tiraram sem dar satisfação, botei dois reservas pra rodar, aí quebrou tudo. Então, quer dizer, se tivesse dois ônibus hoje, não estava sofrendo hoje... Mas já foi dito à empresa que eles vão ter que ressarcir o prejuízo... Quer dizer, de fato a gente não pagou os ônibus, mas se não tivessem tirado a gente tinha pagado...

DF – E de quanto era esse aluguel?
PINGUIM – R$5.000,00 (cinco mil reais) e pouco... Pago R$7.000,00 (sete mil reais) e pouco... Com desconto vai pra R$5.000,00.

DF – E eles acharam pouco... Queriam quanto?
PINGUIM – Não disseram, só tiraram os ônibus.

DF – Obrigado pelos esclarecimentos, Pinguim...
PINGUIM – Por nada, qualquer outra dúvida é só perguntar...

Voltando pra casa, após a entrevista, fotografamos um dos ônibus do Programa Caminho da Escola:

Foto: Daniel Filho. O ônibus que não aguenta trepidação... 

Mas não estavam todos quebrados?

Link para a primeira parte da matéria:

Sobre os estudantes que, supostamente, viriam da zona rural para beber. Entramos em contato com uma das gestoras que negou tal fato. A escola tem o controle de presença dos estudantes e desconhece esses dois casos.

E na terceira parte da matéria, para não dizer que as flores das soluções não foram dadas e que o Blog é feito só para esculhambar com a gestão...
Entramos em contato com a empresa MAN (tão citada durante a matéria) e a resposta deles vai surpreender...
Surpreender alguns. Outros não terão surpresa nenhuma.
Aguardem.