quarta-feira, 11 de novembro de 2015

CONTINUA COM ELAS

Foto: Acervo pessoal

O BLOG GOTA D’ÁGUA continua com a série de publicações relacionadas a questões de gênero. Homens que possuem espaço na mídia foram instigados a ficarem como espectadores, enquanto mulheres ocupam esse espaço para falarem abertamente como se sentem em relação ao tema. A autora da vez é Tainara Santos. Boa leitura e uma excelente reflexão:

Sabemos que desde muito tempo nossa sociedade foi influenciada por muitos mitos, principalmente acerca da mulher. Por exemplo, existe o mito de que a mulher é sexo frágil. Confesso que a primeira vez que ouvi algo desse tipo ainda era criança, porém hoje se você buscar o real significado do que é frágil, certamente vai encontrar o conceito de "algo” que se espedaça ou quebra facilmente; quebradiço", todavia tenho certeza que estas características de fragilidade não se encaixam em nós mulheres, principalmente na mulher do século XXI, que vem lutando pela quebra de preconceitos. Encontramos mulheres engenheiras, motoristas, presidentes e jogadoras de futebol...
Com certeza se há 20 anos uma mulher vislumbrasse ocupar cargos dessa categoria, seria motivo de gozação principalmente pelos machistas e também por algumas mulheres que ainda permanecessem alienadas. Está na presente realidade a ideia de que  mulher, já tem um papel definido na sociedade, que é procriar, ficar em casa responsável pelos afazeres domésticos,  cozinhar, ser submissa ao marido cumprindo ordens de modo humilhante, além de ter que estar sempre bela e arrumada.
De modo particular analiso isto como o fruto de uma sociedade patriarcal, ignorante, intolerante e desprovida de igualdade. Eu escolho a mulher que eu quero ser, meu lugar é onde eu quiser estar, não preciso de um Manuel para ser mulher, muito menos de padrões impostos. Prefiro me sentir bem comigo mesma. Cores, aparência, profissão, comportamento, crença não devem ser visto como algo padronizado e sim de escolha pessoal, não tenho que fazer isso ou aquilo, porque minhas atitudes são peculiares. A monotonia me incomoda e chega a ser insuportável.
Sou alguém dotada de racionalidade e vontade própria, não importa se vou sair bem maquiada ou vestida como a mídia "exige", porque não preciso disso, o meu estilo é de interesse particular.
Não tive uma anjo da guarda que me fizesse perceber isso, foi algo intricado na minha identidade ao longo das vivências, que fez com que eu percebesse certas atitudes no cotidiano, e a partir da inconformidade veio a busca. Hoje, pretendo difundir a ideologia feminista a fim de contribuir para a quebra dos paradigmas, para assim construir uma sociedade mais justa onde haja a igualdade.


Tainara Santos, 18 anos, natural de Santana do Ipanema (AL). Cursa Licenciatura em História na UNIASSELVI (Centro universitário Leonardo da Vinci) em Paulo- Afonso (BA). Mora no projeto Icó-Mandantes, zona rural do município de Petrolândia-PE